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Notícia / Análise de jogo

As maiores decepções e surpresas da Copa do Mundo 2026: quem superou expectativas e quem ficou devendo.

Da eliminação precoce de seleções tradicionais ao surgimento de campanhas históricas, relembramos os maiores destaques e as principais decepções da Copa do Mundo de 2026, analisando o que definiu o sucesso de Espanha, Marrocos, Japão e Paraguai, e os motivos das quedas de Turquia, Uruguai, Alemanha e Brasil.

Análise de jogo
As maiores decepções e surpresas da Copa do Mundo 2026: quem superou expectativas e quem ficou devendo.

As maiores decepções e surpresas da Copa do Mundo 2026: quem saiu menor e quem deixou o torneio maior

Toda Copa do Mundo muda a forma como enxergamos seleções.

Algumas chegam cercadas por expectativa e deixam o torneio sem conseguir justificar o favoritismo.

Outras entram quase sem holofotes e terminam conquistando respeito, admiração e um novo espaço entre as principais forças do futebol mundial.

A Copa do Mundo de 2026 não foi diferente.

Ao longo de um mês de competição, vimos gigantes tropeçarem, projetos promissores desmoronarem e seleções que aproveitaram o Mundial para mudar completamente sua imagem internacional.

O The Offside relembra as maiores decepções e as principais surpresas da Copa do Mundo de 2026.


As decepções da Copa do Mundo

Turquia

A Turquia precisou passar pela repescagem para garantir presença na Copa do Mundo, mas, uma vez classificada, havia a expectativa de que pudesse ao menos superar a fase de grupos.

O sorteio também parecia oferecer uma oportunidade interessante.

Sem enfrentar uma das grandes favoritas logo de início, os turcos tinham um caminho considerado acessível para disputar uma vaga no mata-mata.

Nada disso aconteceu.

A equipe terminou a fase de grupos na última colocação e, em nenhum momento, conseguiu transformar a qualidade individual de seu elenco em desempenho coletivo.

O futebol apresentado foi irregular, previsível e pouco eficiente nos dois lados do campo.

A frustração aumenta justamente pelo talento disponível.

Nomes como Hakan Çalhanoğlu, Arda Güler, Kenan Yıldız, Ferdi Kadıoğlu e Merih Demiral formavam uma base capaz de competir em um nível muito superior ao que foi mostrado durante o torneio.

Mais do que a eliminação, ficou a sensação de que a Turquia desperdiçou uma excelente oportunidade em um grupo que permitia sonhar com a classificação para as oitavas de final.


Uruguai

Era difícil não acreditar no Uruguai antes da Copa.

Marcelo Bielsa havia transformado completamente a identidade da seleção durante as Eliminatórias.

A intensidade voltou.

A pressão alta voltou.

O futebol ofensivo voltou.

Mas nada disso apareceu no Mundial.

A equipe nunca conseguiu manter o mesmo nível coletivo.

Os principais jogadores oscilaram.

A criação ofensiva perdeu fluidez.

O vestiário entrou em colapso.

E a campanha terminou muito antes do esperado.

Talvez tenha sido a maior diferença entre expectativa e desempenho de toda a competição.


Alemanha

A Alemanha chegou cercada por desconfiança.

Saiu deixando ainda mais perguntas.

Apesar de alguns bons momentos na fase de grupos, os alemães jamais convenceram completamente.

A eliminação para o Paraguai, nos pênaltis, simbolizou uma equipe que produzia volume, mas encontrava enorme dificuldade para transformar superioridade territorial em controle emocional e eficiência ofensiva.

Foi mais uma Copa abaixo do padrão histórico alemão, Julian Nagelsmann sai sem deixar saudades.

Desde que levantou a taça no Maracanã em 2014, a seleção tetracampeã mundial não consegue vencer um único jogo de mata-mata no torneio.

Anunciado hoje para o ciclo que está por vir, Jürgen Klopp terá uma árdua missão e já chega pressionado para que a reconstrução finalmente produza resultados concretos.


Brasil

A preparação do Brasil para a Copa do Mundo de 2026 foi marcada por uma grande instabilidade no comando técnico.

Durante o ciclo, a Seleção passou por três treinadores diferentes — Fernando Diniz, Dorival Júnior, e por fim, Carlo Ancelotti, que se tornou o primeiro técnico estrangeiro a comandar o Brasil em uma Copa do Mundo.

A constante troca de comando dificultou a consolidação de uma identidade de jogo justamente no período mais importante de preparação para o torneio.

Fora de campo, o ambiente também esteve longe da tranquilidade.

A indefinição sobre a participação de Neymar até os momentos finais do ciclo e as discussões em torno da lista de convocados alimentaram um cenário de pressão antes mesmo da estreia.

Em campo, essa falta de continuidade acabou refletindo no desempenho da equipe.

O Brasil voltou a ser eliminado nas oitavas de final — algo que não acontecia desde a Copa do Mundo de 1990 — encerrando sua campanha mais cedo do que nas duas edições anteriores, quando alcançou as quartas de final.

Apesar da eliminação precoce, houve pontos positivos.

Vinícius Júnior assumiu o protagonismo ofensivo da Seleção, terminou entre os principais artilheiros do torneio e foi um dos poucos jogadores brasileiros a manter alto nível de desempenho durante toda a campanha.

Ainda assim, o talento individual não foi suficiente para compensar a falta de continuidade construída ao longo do ciclo.

Mais do que a eliminação, a Copa de 2026 deixou a sensação de que o Brasil chegou ao Mundial sem o nível de organização e estabilidade normalmente exigido de um candidato ao título.

Mais uma vez, o Brasil deixa a Copa discutindo o futuro.


As grandes surpresas da Copa do Mundo

Paraguai

Se existe uma seleção que saiu muito maior desta Copa, essa seleção foi o Paraguai.

Após ficar fora dos Mundiais de 2014, 2018 e 2022, poucos imaginavam uma campanha tão competitiva.

Os paraguaios eliminaram a Alemanha.

E com isso chegaram às oitavas de final.

Competiram em altíssimo nível durante praticamente todo o torneio.

Muito dessa campanha passou pelas mãos de Orlando Gil, um dos grandes goleiros da competição.

Mas seria injusto resumir tudo ao arqueiro.

O Paraguai voltou a apresentar aquilo que sempre marcou sua história: organização, competitividade e enorme capacidade de sobreviver em jogos grandes, tudo isso graças ao seu grande comprometimento tático, característica marcante do futebol paraguaio.

Foi um retorno que recoloca a seleção entre os projetos mais interessantes da América do Sul.


Japão

Há anos se fala sobre a evolução do futebol japonês.

Na Copa de 2026, essa evolução ganhou confirmação definitiva.

A equipe apresentou um futebol moderno, intenso e extremamente organizado.

Atacava com velocidade.

Pressionava sem a bola.

Controlava espaços com enorme disciplina.

Além do trabalho coletivo, alguns jogadores confirmaram o enorme crescimento técnico do país.

Ayase Ueda, por exemplo, transformou-se em um dos atacantes mais eficientes da fase de grupos.

Mais do que a campanha, impressionou a forma como o Japão jogou.

Hoje, ninguém encara os japoneses apenas como uma seleção perigosa.

São, definitivamente, uma potência emergente do futebol mundial.


Marrocos

Depois da semifinal conquistada em 2022, muitos imaginavam que seria difícil repetir aquele nível.

Marrocos respondeu da melhor maneira possível.

Provou que não foi acaso.

A equipe voltou a competir entre as melhores seleções do mundo, agora com ainda mais repertório ofensivo.

Azzedine Ounahi confirmou sua evolução.

Novos talentos apareceram, como por exemplo Ayyub Bouaddi que comandou o meio-campo contra o Brasil.

A defesa manteve o alto nível.

E o coletivo voltou a funcionar de maneira exemplar.

A eliminação para a Espanha aconteceu diante da futura campeã do mundo.

Mesmo assim, o legado permanece.

Marrocos deixou de ser surpresa.

Hoje já pertence definitivamente ao grupo das seleções que entram em qualquer grande competição para competir por fases decisivas.


Espanha

A campeã da Copa do Mundo também foi, provavelmente, a seleção que melhor jogou futebol durante todo o torneio.

Mais do que conquistar o título, a Espanha impressionou pela consistência.

Controlou jogos através da posse de bola.

Pressionou em alto nível sem ela.

Alternou jogadores decisivos sem perder identidade.

Luis de la Fuente colheu o resultado de um projeto iniciado anos atrás, ainda nas categorias de base da seleção espanhola.

Depois da UEFA Nations League.

Depois da Eurocopa.

Veio a Copa do Mundo.

Não foi um sucesso construído rapidamente.

Foi consequência direta de planejamento, continuidade e confiança em uma ideia de jogo.

Mais do que campeã.

A Espanha foi, talvez, a seleção que melhor representou o futebol coletivo em todo o Mundial.


Um Mundial que mudou percepções

Toda Copa do Mundo redefine hierarquias.

Algumas seleções saem maiores do que entraram.

Outras voltam para casa carregando perguntas que precisarão ser respondidas antes do próximo ciclo.

A Espanha encerra 2026 como campeã e referência coletiva do futebol mundial.

Marrocos, Japão e Paraguai consolidam projetos extremamente promissores.

Enquanto isso, Brasil, Alemanha, Uruguai e Turquia iniciam um novo período de reflexão.

Porque, no futebol de seleções, uma Copa nunca termina apenas com um campeão.

Ela também redefine quem inspira confiança para o próximo ciclo.